|
Nesta seção homenageamos o trabalho dos bispos em nosso Estado. De maneira simbólica selecionamos dois entre eles: D. João Batista da Mota e Albuquerque e D. Luis Fernandes.
D. João Batista da Mota e Albuquerque

QUEM FOI D. JOÃO
Dom João Batista da Mota e Albuquerque nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 1909. Em 1927, aos 18 anos de idade, foi para Roma, onde estudou Filosofia no Pontifício Colégio Pio Latino-Americano. Recebeu a ordenação sacerdotal no dia 15 de abril de 1933. Regressando ao Brasil, tornou-se diretor espiritual e professor no Seminário São José, no Rio, onde foi vigário da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e da Matriz da Glória. Em 1957, Dom João chegou ao Estado para tomar posse como o sexto bispo do Espírito Santo. No ano seguinte, com o desmembramento das dioceses de Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus e a criação da Província Eclesiástica de Vitória, tornou-se o primeiro arcebispo metropolitano de Vitória.
De 1962 a 1965, participou ativamente do Concílio Vaticano II, o maior acontecimento eclesial do século 20, tendo lançado as bases para as diversas reformas por que a Igreja passou nos anos seguintes, sobretudo na liturgia e na ação política e social.
Durante o Concílio, em Roma, Dom João uniu-se ao grupo de bispos da Igreja dos Pobres, que pregava uma vida de simplicidade e pobreza, mais próxima do povo e de suas necessidades. Esse compromisso marcaria todas as suas ações nos anos seguintes. De volta ao Brasil, e com o auxílio de seu bispo auxiliar, Dom Luís Gonzaga Fernandes, Dom João deu início à implantação das Comunidades Eclesiais de Base, que encontraram no Espírito Santo um terreno fértil para florescer. O arcebispo também tornou-se um grande incentivador da participação dos leigos na Igreja, apoiando o trabalho das pastorais.
Sob a inspiração de Dom João, a Igreja de Vitória passou a ser reconhecida, nos anos 70, como uma Igreja progressista e afinada com a realidade. Nessa época, os movimentos sociais haviam começado a nascer, na esteira do agravamento das condições sociais provocado pelo êxodo rural e pela chegada dos migrantes atraídos pelos grandes projetos industriais. Dom João foi solidário aos primeiros movimentos grevistas que surgiram no País após o golpe militar de 1964. Com seu apoio, foi criada a Comissão Justiça e Paz, que teve papel fundamental nos movimentos em defesa da moradia e dos direitos dos presos, lutas que o arcebispo apoiou bastante. Dom João morreu no dia 27 de abril de 1984, após 27 anos dedicados à Igreja do Espírito Santo. Era um grande amante da música, e fazia questão de reger os cantos na Catedral e nas paróquias. Foi um religioso de vanguarda, tendo se esforçado para colocar em prática as decisões do Concílio Vaticano II, mas também deixou sua marca como líder espiritual.
(Extraído do Livro – Personalidades Capixabas – D. João Batista da Motta e Albuquerque – organizado por Antônio de Pádua Gurgel)
D. Luis Fernandes

“Salvar a vida na terra – Compromisso de todos nós”
Houve na cidade de Vitória um bispo que se chamou Luís Gonzaga. Exerceu seu ministério pastoral na Arquidiocese de Vitória até 1981, quando foi transferido para a Diocese de Campina Grande, na Paraíba. Embora tenha sido bispo católico, o relevo da sua ação transpõe em muito os horizontes de uma confissão religiosa particular. Foi bispo com acendrado espírito ecumênico.Sempre esteve em comunhão com pastores das mais diversas igrejas. Não uma comunhão formal.Muito mais que isto.Uma comunhão afetiva, um diálogo permanente, um esforço de descobrir “no outro”, as inspirações da verdade, do bem e da justiça. Foi um profeta -aquele que nunca se omite quando deve anunciar a justiça e denunciar a opressão, sob qualquer forma que se apresente.
"Comprometeu-se com o povo, com as multidões marginalizadas, comprometeu-se para solidarizar-se com o seu sofrimento"- João Batista Herkenhoff- Juristadefensor dos Direitos Humanos.

Foram 53 anos de sacerdócio e 38 anos de bispo. Ele foi bispo auxiliar de Vitória (ES) aolado de Dom João Batista da Mota e Albuquerque até 1981, e Bispo Diocesano de Campina Grande, na Paraíba, onde permaneceu até 2001. Foi membro da Comissão Teológica e Litúrgica da CNBB, membro do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), do Departamento de Leigos e membros da Comissão Nacional Ampliada das Comunidades e Eclesiais de Base.Atuou profundamente na formação das Comunidades Eclesiais de Base, foi o idealizador do 1º Encontro Intereclesial de CEBS em 1975. De lá pra cá foram 10 encontros. Seus ideais foram fermento na massa das igrejas do Brasil e da América Latina. Lutou contra a ditadura e pelo restabelecimento de democracia durante o regime militar e, no ES, foi um dos fundadores da Comissão Justiça e Paz. Sua pratica foi a proposta do Evangelho Libertador ligado a prática do dia-a-dia das comunidades.
|